

A Secretaria de Administração Penitenciária do Estado homologou nesta semana a concorrência pública para a construção da Penitenciária Feminina em Guariba. A licitação foi vencida pela empresa MVG Engenharia e Construções. O Governo Estadual irá pagar R$ 46,8 milhões pela obra.
A decisão da Secretaria foi publicada na edição do dia 13 do Diário Oficial. Em no máximo cinco dias o contrato será assinado. A partir disso, a obra começa a ser construída a qualquer momento.
O DebateOnline tentou contato com o prefeito Hermínio de Laurentiz Neto e com o presidente da Câmara de Vereadores Marquinhos Osti, para comentar a homologação, mas eles não estavam na cidade.
Laurentiz tentava barrar a concorrência pública na Justiça. Porém, seus argumentos não foram acatados. Para o prefeito, o Governo Estadual deveria construir presídios em municípios com altos índices de desenvolvimento humano e social.
As autoridades estão preocupadas com as conseqüências que um presídio pode acarretar no município. Há o temor do avanço da população flutuante, que aumentaria a demanda por serviços públicos, entre os quais saúde e educação.
Em várias entrevistas concedidas às emissoras de rádio da cidade, Laurentiz também chegou a alertar para a dificuldade que Guariba enfrentará para atrair novas empresas.
O temor tem justificativa. O DebateOnline conversou informalmente com três experientes integrantes do comando da Polícia Militar que atuam em cidades da região. Todos disseram que o impacto social negativo provocado pela construção de um presídio é enorme.
Dois deles consideraram a instalação de um presídio feminino ainda mais preocupante porque grande parte da população carcerária feminina no Estado está presa por tráfico de drogas.
Jardinópolis
Em Jardinópolis, outra cidade eleita pelo então governador José Serra para sediar uma unidade prisional, a mobilização popular aliada à pressão política parece ter conseguido barrar o processo de construção.
Lá, os moradores realizaram vários manifestos públicos e conseguiram 20 mil assinaturas para um abaixo-assinado. A revolta repercutiu na imprensa regional. Deputados com base eleitoral no município também abraçaram a causa e pressionaram o Governo Estadual.
À época, o governador José Serra, hoje candidato a presidente da República, teria desistido de construir o presídio na cidade. O processo estaria parado em função deste ser um ano eleitoral, porém, ele ainda existe.