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2009 está chegando ao fim. Foi um ano atípico em função da crise financeira internacional. Segundo os analistas, o Brasil está saindo fortalecido da crise e há boas perspectivas para 2010. Contudo, qual foi o impacto da crise financeira internacional na sua vida?

 O impacto foi grande. Tive prejuízos.
 Com o corte de desepesas, está sendo possível superar as dificuldades.
 Pouco. Nada que chegasse a preocupar.
 Nenhum. Só vi a crise pelo noticiário.

blog do peruzza

MARCOS PERUZZA, 45 anos, advogado e engenheiro agrônomo. Especialista em gestão de governo, área em que atua há mais de 15 anos. É crítico do jornalismo brasileiro e torcedor do São Paulo.

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24.11.09 | 15:46

Na falta de política pública para o transporte de alunos da rede de ensino, o governador Serra faz sorteio de microônibus para os prefeitos.

Veja se isso é algum tipo de política pública séria!

As Diretorias de Ensino estão contatando todos os prefeitos do estado para prestigiar um grande programa de auditório, que terá como apresentador o notável e enigmático governador do estado de São Paulo, José Serra.

O governador José Serra está chamando todos os prefeitos e quem mais quiser ir ao Palácio dos Bandeirantes - Auditório Ulysses Guimarães para participar do evento de SORTEIO de três microônibus no dia 25 de novembro as 12 horas.

Observe caro leitor(a) que se trata de SORTEIO de microônibus. Vai se fazer um baita programa de auditório (Ulysses Guimarães) para se fazer SORTEIO de três microônibus entre os prefeitos.

Eu estou sendo muito intransigente em achar que isso é circo?

Acho que o Serra perdeu a noção de campanha eleitoral, principalmente quando as pesquisas apontam sua queda vertiginosa na intenção de voto para presidente. Em um ano Serra perdeu 15% da intenção de voto e a candidata do Presidente Lula, Dilma Rousseff sobe a cada pesquisa.

Logo ele que critica tanto a Dilma por fazer campanha antecipada. Ora, então o que ele está fazendo com este sorteio? Filantropia?

Na falta de política pública consequente para transporte dos alunos da rede estadual de ensino, o governador se propõe a fazer um programa de auditório com SORTEIO  de microônibus. 

Mas esse governo é muito ruim...

23.11.09 | 16:33

O governador José Serra escreveu na Folha de São Paulo sobre uma visita indesejável no Brasil. Não é a toa que em um ano, Serra caiu 15 pontos nas pesquisas eleitorais.

O governador José Serra escreveu no jornalão Folha de São Paulo sobre uma visita indesejável ao Brasil do atual presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. 

Sobre o texto do Serra eu gostei da análise do jornalista Paulo Henrique Amorim, que pegou na veia:

Tudo o que ele diz (**) do Irã poderia dizer – com variações leves – sobre a tirania da China.
Serra não trata do interesse nacional, mas do interesse eleitoral – da bajulação à comunidade judaica e a financiadores de sua campanha e do iFHC.

Amigo navegante, imagine o presidente da China vir ao Brasil e o Estado mais rico, Estado secessionista, São Paulo, proclamar uma política externa própria, como fizeram os Estados do Sul, antes que fossem esmagados por Abraham Lincoln.

Serra só abre a boca para falar de temas em que a opinião dele é dispensável.

E os contratos da OAS – Obras do Amigo Serra – vão ser mantidos ?

E o Google, como são as relações de seu Governo com o Google ?

Serão mantidas ?

A OAS vai financiar suas campanhas ?

Quem mandou tirar as fotos do Google ?

Serra, tem um Abraham Lincoln no seu caminho.

Não é a toa que o candidato a candidato a presidente vai despencando nas pesquisas eleitorais. Foram 15 pontos que Serra perdeu no intervalo de um ano de pesquisas eleitorais da CNT/Sensus.

Leia a íntegra no UOL.

Serra não vai ser o candidato a presidente do PSDB. Será Aécio Neves. 

 

23.11.09 | 16:00

O filme 2012 representa como as elites podem se salvar de eventual catástrofe no planeta. A salvação para o fim do mundo depende exclusivamente de quem tem poder e dinheiro. Nós estaríamos excluídos!

No sábado eu e minha esposa fomos assistir ao filme 2012.

O filme 2012 é uma ficção que tem como base a história da arca de Noé, misturado com aventura, doses de efeitos especiais e uma pitada de romance.

Cientistas descobrem que ocorrerá grande alteração nas profundezas do planeta Terra e catástrofes dizimarão a vida no planeta.

Chamou-me a atenção o desfecho final do filme, pois só escaparam os líderes políticos do G8 (EUA, Canadá, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Japão e Rússia), além da China, que também estava incluída, pois foi lá que construíram o moderno “navio”, mais parecido com uma espaçonave flutuante, que salvaria as vidas dos cientistas, políticos, da elite endinheirada e um casal de cada animal selvagem da grande catástrofe.

Não embarcou na barca o presidente dos EUA, que era negro, pois ficou com o povo para conferir o estrago, e também o primeiro ministro italiano, que ficou em Roma rezando com o Papa para exorcizar o perigo iminente, porém em vão, pois todos sucumbiram com a invasão do mar sobre terra. Até o Dalai Lama no Tibet não conseguiu impedir o efeito devastador das águas que chegaram a quase encobrir o Himalaia.

Interessante, que os líderes políticos já tinham conhecimento desde 2007 sobre o fenômeno que estaria para acontecer, mas fizeram o mega-projeto das barcas, às escondidas, como segredo de Estado e não alertaram mais ninguém, nem os líderes dos outros países e muito menos o povo em geral. Os líderes que tentaram antecipar ao povo sobre a catástrofe foram mortos pelo serviço secreto.

Puderam entrar na barca os políticos e seus cientistas e também quem pode pagar para fazer parte do projeto de construção das barcas. No filme custou um milhão de euros por pessoa para adquirir o bilhete que dava acesso às barcas.

É reveladora a fala de um dos chefões dos americanos quando explica para um cientista negro (um dos que antecipou o fenômeno destruidor): “Sem o dinheiro da iniciativa privada não teríamos como finalizar o projeto”. Agora, me digam uma coisa: não soa atualíssima essa fala do chefão americano?

Esse chefão, pragmaticamente tenta convencer o cientista negro de que só existe aquela maneira de salvar a humanidade. Não há como salvar a todos. É preciso pensar em salvar os poucos e bons que podem continuar a evolução da espécie.

Por pressão, no final, ainda conseguiram entrar nas barcas os operários chineses que participaram da construção do mega-projeto.

No final tudo está submergido e apenas a África está intacta. E é onde eles irão recomeçar a aventura elitista de reconstruir um novo mundo. Talvez por isso mesmo resolveram contar com os operários chineses para servir de mão-de-obra barata.

Tudo termina como num final feliz. Mas não é bem assim. No filme o sistema de definição daqueles que merecem se salvar é marcante. É um sistema puramente excludente! É sinistro, mas se um dia esta ficção se tornar realidade, creio que o filme acertou em cheio sobre o que representa a salvação não da humanidade, mas dos poderosos. Nós estaríamos excluídos da salvação.

23.11.09 | 11:43

O São Paulo está na liderança do Brasileirão mais por facilidades que lhe deram os adversários. Mas no próximo domingo o tetra consecutivo pode acontecer. Difícil? Talvez nem tanto...

Pelo visto o Campeonato Brasileiro vai ser de amargar nesta reta final.

Com a cabeça mais fria, hoje, podemos fazer as seguintes equações para apurar a maior probabilidade de conhecermos o campeão, ou melhor, o provável menos ruim. Vamos fazer uma projeção no campo teórico, pois neste campeonato nada é líquido e certo.

O São Paulo, teoricamente, tem um jogo difícil em Goiás e um fácil contra o Sport. Creio que o tricolor vai perder do Goiás e vencer o Sport. Portanto vai completar o campeonato com 65 pontos.

O Internacional, teoricamente, tem os compromissos mais fáceis, pois pega o Sport em Recife e o Santo André em casa. Com duas vitórias o Inter termina o campeonato com 65 pontos.

O Flamengo joga com o Corinthians em São Paulo e com o Grêmio no Maracanã. Creio que o Flamengo empata com o Corinthians e vença o Grêmio, chegando ao final com 65 pontos. 

Finalmente o Palmeiras em queda livre, mas com chances, vai enfrentar o Atlético (MG) em casa e o Botafogo fora. Acredito que o Palmeiras consiga vencer o Atlético, mas empata com o Botafogo. Portanto, termina o campeonato com 63 pontos.

Neste exercício o São Paulo, Internacional e Flamengo terminariam empatados em primeiro lugar. O campeão seria aquele que tiver mais vitórias. Neste quesito o Internacional terminaria o campeonato com 19 vitórias, uma a mais que São Paulo e Flamengo.

O Internacional será o campeão. 

Bom, isso se tudo acontecer como estou planejando, mas não é tão simples assim, pois todo mundo sabe o quanto o Internacional já fez papelão neste campeonato.

O São Paulo se quiser pode ser campeão vencendo o Goiás e o Sport, no entanto, ainda tenho dificuldade em acreditar no tricolor.

O São Paulo está onde está porque os adversários facilitaram muito, da mesma forma como o São Paulo está facilitando agora. Resta saber se o tricolor vai ter competência para não ser o próximo a ceder a liderança, como fez o Atlético Mineiro e o Palmeiras.

Tá difícil, mas se o São Paulo vencer o Goiás e o Flamengo perder para o Corinthians e o Internacional empatar com o Sport e o Palmeiras empatar com o Atlético (MG) o São Paulo é campeão com uma rodada de antecedência. Difícil? Talvez nem tanto... 

22.11.09 | 22:01

No campeonato Brasileiro se tivesse que apostar jogaria minhas fichas no São Paulo. Continuo incorrigível...

O que está acontecendo com este Campeonato Brasileiro de Futebol?

Não é possível! Depois de todas as canjas que o Palmeiras deu, finalmente o São Paulo chegou a liderança. Agora, depois da canja que o São Paulo deu para o Flamengo, o São Paulo ainda é líder.

Eu nunca vi um campeonato tão doido quanto este. Não se disputa o melhor time do campeonato, mas o menos ruim.

É furada atrás de furada e ninguém sabe quem vai ser campeão. Qualquer palpite tem larga margem de erro. Eu apostei no Palmeiras e olha o que o Palestra aprontou. Quando era para disparar o Palmeiras se perdeu no caminho. Uma vergonha me perdoe meu irmão e meu sobrinho, mas o timinho ruim...

O São Paulo continua com a mesma incompetência de sempre, perdendo um jogo ganho contra um Botafogo quase rebaixado, mas os seus adversários diretos pelo título continuam no mesmo diapasão. Olha o empate do Flamengo com o Goiás!  

Nesta reta final, o Palmeiras ainda pode ser campeão, mas o Internacional também pode ser campeão e o Flamengo também, só o São Paulo ainda acredito que está na primeira posição meramente por acaso...

Francamente, espero que eu esteja errado, mas acho difícil...

Se tivesse que apostar, jogaria minhas fichas no São Paulo.

Continuo incorrigível... 

06.11.09 | 14:09

Impressões de uma viagem para Portugal. Última Parte - Évora é um encanto de cidade e Azeitão o nosso contato mais íntimo com o bom vinho português. Finalmente, nossa despedida...

Eu e minha esposa, em Évora
Eu e minha esposa, em Évora

Nosso último passeio em Portugal foi para Évora, cidade Alentejana, ou seja, depois do rio Tejo, considerado Patrimônio Mundial da Unesco, muito agradável com flores na praça, crianças fazendo recitais e contando histórias, um comércio pequeno, mas cativante.

Em Évora existe um templo romano que data o ano 30 antes de Cristo. Sempre admirei aquelas colunas romanas nos livros de história e tive uma sensação indescritível estar de frente com aquele registro histórico tão antigo e que suportou tantas civilizações.

Durante o caminho para Évora, também em auto-estrada muito boa, na planície Alentejana, víamos florestas de sobreiro, oliveiras e vinhas. Mas, o que mais chamou a nossa atenção foi o sobreiro, árvore que tem na casca do seu tronco a matéria prima para se fazer a cortiça.

Portugal produz 50% de toda a cortiça do mundo. Quando tiram a casca da árvore, o tronco fica vermelho. Diz a lenda, que ele fica vermelho porque está com vergonha de ficar despido. Interessante, né...

Visitamos a Universidade de Évora, que era a segunda universidade portuguesa depois de Coimbra, criada pelos jesuítas, o ensino universitário tinha forte influência da igreja católica. No entanto, em 1759, durante o reinado de D. José I, por ordem do primeiro ministro, Marquês de Pombal, os jesuítas foram expulsos de Portugal e a universidade abandonada.

O local ficou abandonado até 1974, quando o governo português recriou novamente a Universidade de Évora. O prédio e as salas de aulas são as mesmas da época dos jesuítas e é impressionante os azulejos e adereços preservados naquela universidade. Uma bela visita.

Ainda em Évora, não podíamos deixar de conhecer a beleza da Sé Romano-Gótica, mas principalmente a bizarra Capela dos Ossos. Essa Capela foi construída pelos frades franciscanos, que retiraram os ossos humanos de um cemitério desativado para recobrir as paredes da capela. Basicamente usaram crânio e fêmur para forrar as paredes da capela, mas também havia dois esqueletos inteiros, que consta a lenda, pertenciam a pai e filho, que de tão unidos, quando o pai morreu, o filho se agarrou ao pai e não deixou ser enterrado sozinho. 

Depois de Évora fomos para Azeitão, lugar que tem esse nome por causa, evidentemente, do azeite, no entanto, as oliveiras perderam o lugar para as videiras e hoje, o local é conhecido pela famosa produção de vinho de José Maria da Fonseca, mais conhecido no Brasil pelo vinho Piriquita.

Ali tivemos a oportunidade de termos mais intimidade com o vinho português. A guia da própria fábrica nos levou para conhecer a história da produção de vinho deles. No final mostrou-nos uma sala a temperatura ambiente natural e coberta de teias de aranha, onde está armazenado tonéis e garrafas de vinho de 1880. Segundo a guia, aqueles vinhos são fornecidos em ocasiões especiais, como a visita de um presidente ou de um rei europeu, nem a família têm a chave daquela sala.

Depois da aula, claro, fomos degustar os vinhos produzidos pela empresa José Maria da Fonseca, mas francamente, foram regulados na degustação, se compararmos ao que oferecem na degustação as empresas de vinho em Caxias do Sul ou Garibaldi no Rio Grande do Sul, foi uma miséria.

Depois do vinho voltamos para o hotel em Lisboa, arrumamos nossas malas e fomos de metrô para uma última noite no Baixa Chiado em um bar/restaurante chamado A Brasileira, onde os funcionários no dia anterior entraram em greve por baixos salário. Só podia ser na A Brasileira...

Comemos bacalhau, bebemos cerveja e vinho verde, nos despedimos da noite em Portugal e voltamos para o hotel. Dormimos, acordamos as 6 da manhã, tomamos café e desta vez o transfer veio nos buscar e levar-nos até o aeroporto. 

Essa eu tenho que contar: no aeroporto fui ao banheiro e senti um cheiro insuportável de cigarro. Quando olhei para cima das paredes do WC (existe um vão entre o fim da parede e o teto) havia dezenas de bituca de cigarro. Ou seja, as pessoas, a grande maioria europeu, claro, como não podem fumar no aeroporto, fumavam no banheiro. Aliás, povo para gostar de fumar são estes europeus. O que você encontra de bituca de cigarro nas calçadas e nas sarjetas das ruas, você não encontra no Brasil. Enfim uma vantagem nossa...

Era primeiro de novembro e nosso vôo decolou às 11 horas (horário de Lisboa) para aterrissar em Guarulhos às 19 horas (horário de Brasília). Às 22 horas pegamos um vôo para Ribeirão Preto, onde nosso carro estava nos esperando no estacionamento do aeroporto. Às 23:45 horas estávamos em nossa casa em Jaboticabal.

Perguntaram-nos se tínhamos conhecido tudo em Portugal. Infelizmente, entendemos que não. Faltou conhecermos a cidade do Porto e, particularmente para mim, faltou ver um jogo de futebol do Benfica ou do Sporting no estádio da Luz, mas, não teve jeito, pois não houve jogos nesta semana em Lisboa.

Pena, mas, por outro lado, já temos um bom motivo, para quem sabe no futuro, voltarmos a visitar está terra maravilhosa, além mar...

Quero terminar essas impressões de uma viagem para Portugal assim: “A maioria pensa com a sensibilidade, eu sinto com o pensamento. Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar”. Fernando Pessoa.

05.11.09 | 13:42

Impressões de uma viagem para Portugal. Nona Parte - Eventos importantes que visualizam a modernização arquitetônica, cultural, econômica e social de Portugal.

Portugal moderna
Portugal moderna

Recentemente Portugal passou por algumas obras de modernização que marcaram a entrada do país na comunidade européia. Entre estradas e investimentos de infraestrutura, houve alguns eventos que exigiram obras importantes, que nós, evidentemente, não poderíamos deixar de conhecer.

Dois eventos significativos marcaram a modernização arquitetônica, cultural, econômica e social da história mais recente de Portugal.

Em 1998 Lisboa foi sede da Expo 98, ou seja, uma exposição mundial de nações que aconteceu entre os meses de maio a setembro daquele ano.

Para isso os portugueses construíram um parque imenso as margens do rio Tejo e deram o nome de Parque das Nações. O acesso ao parque pode ser feito por metrô e neste espaço além de parques e jardins, existe um shopping, uma torre gigantesca e a moderna ponte de 16 km que corta o rio Tejo e que levam o nome de Vasco da Gama.

Existe um teleférico com uns 50 metros de altura que corta toda a extenção do parque, ligando a torre Vasco da Gama ao Oceanário. Aliás, este oceanário é um dos mais completos da europa. Além disso, existe um pavilhão chamado Ciência Viva com várias experiências voltadas principalmente para estudantes.

O outro evento de grande importância foi a Eurocopa realizada em Portugal no ano de 2004, quando a seleção portuguesa era comandada por Luis Felipe Scolari, o Felipão, e chegou ao vice-campeonato, perdendo a final para a surpreendente Grécia.

Para sediar a Eurocopa o país teve que construir e reformar dez estádios tornando-os modernos, confortáveis e seguros.

Mas, como sempre, depois da Eurocopa, mesmo após o sucesso do torneio, ficaram os estádios ociosos, alguns clubes donos do estádio caíram para divisões inferiores e atualmente as rendas conseguidas com a utilização dos estádios não pagam à manutenção. 

O jornal português Diário de Notícias em sua edição de 1 de novembro fez matéria sobre as dores de cabeça das empresas que administram os estádios utilizados na Eurocopa.

Apenas os estádios do Dragão do FC Porto e o Municipal de Aveiro apresentaram administração lucrativa, enquanto os demais apresentaram resultados deficitários ou simplesmente não apresentaram o custo de manutenção e os rendimentos obtidos.

E apesar de todo esse problema o jornal chama a atenção para a próxima aventura da Federação Portuguesa de Futebol, que conjuntamente com a federação espanhola lançaram-se a candidatura para sediar a Copa do Mundo de Futebol em 2018 ou 2022, nos moldes como foi a Copa de 2002 no Japão e na Coréia do Sul.

Bom, que o exemplo dos estádios de Portugal sirva de alerta ao que vem por aí na Copa de 2014 no Brasil. Mas, francamente, cá entre nós, você acha que alguém está preocupado com isso no Brasil?

Aproveitando a comparação com o Brasil, foi cômica a nossa experiência para experimentar os famosos pasteiszinhos de Belém. Queríamos experimentar da primeira fábrica dessa iguaria que data de 1837. No entanto, quando descemos do ônibus de trilhos em Belém, paramos em frente uma confeitaria para tomar um refrigerante e perguntamos onde havia os famosos pasteizinhos de Belém. O garçom sem pestanejar disparou: é aqui mesmo.

Sentamos na mesa da calçada e comemos os pasteiszinhos como algo divino. Pagamos a conta e fomos ver outras paisagens em Belém. Mas uma coisa nos chamou a atenção, pois todo mundo dizia que fazia fila para pegar os tais pasteizinhos e naquela confeitaria não se formou uma mínima fila de 2 pessoas. 

Quando voltávamos para pegar o ônibus de volta, eis que nos deparamos com a verdadeira fábrica de pasteizinhos de belém que data de 1837 e pudemos observar a boa fila de pessoas comprando a iguaria. Conclusão: fomos iludibriados...

Lembramos do Brasil, mas não nos demos por vencidos! Enfrentamos a fila, comemos os pasteizinhos originais e ainda embrulhamos em caixas especiais alguns para trazermos para Jaboticabal. 

É bom nós passarmos por essa situação para entender que não é só no Brasil que existe aquela famosa malandragem.

05.11.09 | 12:19

Impressões de uma viagem para Portugal. Oitava Parte - A vida noturna, bares pequenos, boa comida, muita variedade de vinho e pouca de cerveja e varais com roupas para fora da janela. A mendicância...

Eu em uma das ruas com bares pequenos
Eu em uma das ruas com bares pequenos

A noite em Lisboa é tranquila e com temperatura agradável, em torno de 15 a 17 graus celcius. Embora lá estivéssemos no outono a temperatura, segundo os moradores, deveria estar mais fria. Durante o dia a temperatura chegava a 25 graus.

Toda noite saíamos para jantar em algum bar ou restaurante da cidade. Com uma média de 30 euros para o casal era possível apreciar um bom peixe com vinho, cerveja e refrigerante, evidentemente, sem abusos.

Preferíamos peixe, pois é a comida típica dos portugueses, em especial bacalhau e salmão. É uma comida boa, gostosa e barata. O pão e azeite sempre se faziam presentes nas refeições, aliás, povo que gosta de pão está lá. Agora entendo, com clareza, porque tantas padarias no Brasil são de propriedade de portugueses.

O vinho, evidentemente, pela tradição do país tem grande variedade e tipos, no entanto, a cerveja vendida nos bares tem só duas marcas principais: super bock e sagres. O sabor dessas cervejas é muito semelhante às do Brasil. Existem outras cervejas, mas raramente se encontra em algum restaurante.

Quanto a música nos bares e restaurantes portugueses é quase inexistente. Se você quiser ouvir um fado (música típica portuguesa) ou você vai a um teatro, que todo dia faz apresentação de 50 minutos por 25 euros ou vai a alguns poucos restaurantes, que fazem shows de fado, mas com consumação mínima de 50 euros, sempre por pessoa.

Mas é bastante curioso estarmos nas mesas de bares colocadas para fora, no meio das estreitas ruas do bairro de Baixa Chiado ou Bairro Alto e ao erguermos a cabeça nos depararmos com varais cheios de roupas.

É que a maioria das casas portuguesas é muito antiga e têm as janelas e as portas voltadas diretamente para a rua. Não há quintal, então, os varais são estendidos na rua preso na parede logo abaixo da janela. Sentimos uma sensação bastante estranha e ao mesmo tempo familiar, pois parecia que estávamos no quintal de alguma casa.

Outra consequência, em razão da antiguidade das casas portuguesas, são os carros particulares que ficam estacionados nas ruas, pois também não há espaço para garagem. Agora, é certo, que a ocorrência de roubo de carros, por razões óbvias, é muito rara.

No entanto, a crise já permite vermos nas ruas de Liboa uma certa mendicância. Os mendigos de lá não são maltrapilhos como os nossos. Em regra estão bem vestidos e seus problemas estão relacionados, geralmente a defeito físico quando são cegos ou amputados, além das pessoas idosas desempregadas.

Vimos mendicância no metrô, nas portas das igrejas e museus. Também vimos moradores de rua cobertos com papelão e dormindo na marquise de um museu e em praça próximo ao metrô.

Constatamos que nem tudo é só maravilha!!

05.11.09 | 10:01

Impressões de uma viagem para Portugal. Sétima Parte - Mais uma viagem no tempo a Sintra, Palácio da Pena, Cascais, Cabo da Roca e Estoril.

Palácio da Pena
Palácio da Pena

Estávamos ansiosos para conhecermos o Palácio da Pena, que é o máximo exemplar da arquitetura romântica portuguesa, edificado no século XIX a 500 metros de altitude, serviu como residência de verão para a realeza portuguesa, em razão do microclima, bem mais ameno.

Não se pode tirar fotos dentro do Palácio de Pena, por isso fica somente na lembrança as decorações, azulejos, móveis e objetos de valor histórico inestimável. É um passeio imperdível.

Em Sintra fizemos uma parada no centro histórico da vila para visitar o Palácio do século XV, que era a antiga residência de caça da família real portuguesa. Há duas torres neste Palácio que são únicas, pois trata-se de chaminés para retirar a fumaça produzida pela enorme cozinha da residência real. Aqui não há problemas quanto a fotografias.

Ainda em Sintra fizemos um almoço peculiar no restaurante Tulhas, onde o prato foi bacalhau a nata, que nada mais é que o nosso escondidinho de bacalhau, porém com a massa feita de batatas. Após o almoço, um bondinho, que era usado pela realeza, nos levou do alto de Sintra até próximo ao Palácio.

O antigo convive com o moderno numa paisagem tranquila e harmoniosa que encanta os visitantes.

Seguimos o passeio para o Cabo da Roca, que é o ponto mais ocidental do continente europeu, que possui um belo farol ainda em atividade. Em seguida fomos a Cascais com porto de pesca e centro turístico e finalmente, visitamos Estoril com seus cassinos, jardins e ruas que serviram ao circuito de Fórmula 1.

04.11.09 | 16:42

Impressões de uma viagem para Portugal. Sexta Parte - Com a visita a Fátima se percebe a influência e a imponência da instituição igreja católica sobre o cotidiano em Portugal.

Cristã paga promessa
Cristã paga promessa

Somos católicos e claro, fizemos questão de visitar Fátima, centro religioso e de peregrinação mundialmente conhecido, onde tiveram lugar as aparições da Nossa Senhora em 1917.

Visitar Fátima é fantástico! É de uma grandiosidade surpreendente, embora seja menor que o santuário de Nossa Senhora da Aparecida no Brasil, mostra a opulência da igreja católica num país onde 82% da população se afirmam como católica. Mas a energia é muito boa e tranquila. Um lugar de oração e meditação.

Também visitamos Aljustrel onde estão as casas onde nasceram os videntes Lúcia, Francisco e Jacinta. Tudo está muito bem conservado e a visitação é intensa por turistas de todos os lugares da Europa.

A igreja católica sempre teve grande influência na história de Portugal, tanto que o país foi o primeiro a ser reconhecido pelo Papa em 1143 quando D. Afonso Henrique torna-se o primeiro rei do reino de Portugal.

Para consolidar o reino de Portugal, a principal luta dos portugueses católicos era para expulsar os mouros, que eram árabes e muçulmanos, o que aconteceu definitivamente em 1249 sob o reinado de D. Afonso III.

Antes de visitarmos Fátima fomos até ao Mosteiro da Batalha, considerado patrimônio mundial pela Unesco, que foi construído por ordem do rei D. João I em 1385, como promessa a Virgem Maria, caso vencesse os espanhois na batalha de Aljubarrota, fato que veio a se confirmar com a ajuda providencial dos ingleses ao lado das forças portuguesas. Começava a dinastia de Avis e consolidava a independência de Portugal da Espanha.

Antes ainda, havíamos visitado Óbidos, vila fortificada de casario branco, ruas estreitas e sinuosas com ambiente medieval. É uma viagem ao passado quando subimos pelas muralhas da vila de Óbidos para apreciarmos a paisagem medieval do lugar. Agora, nesse passeio, não se deve perder a degustação da "ginjinha", licor típico da região servido em copinhos de chocolate. Muito bom...

Também visitamos Nazaré, nome da igreja da santa de Nazaré, que é uma típica vila de pescadores da costa portuguesa. Lá encontramos as mulheres das 7 saias, que vendem artesanato para os turistas, enquanto seus maridos estão pescando em alto mar. Conta a história que os pescadores não usam bolsos nas camisas para não carregarem nenhum objeto, pois em caso de naufrágio, não haverá peso que ajude a afundar o pescador. 

A pergunta que fica é: a forte influência da igreja católica contribuiu para o atraso do desenvolvimento de Portugal?

Particularmente entendo que não. A dependência política, econômica e bélica de Portugal para com a Inglaterra, essa sim, parece-me mais convincente para explicar o atraso do país.

O reino inglês mantinha forte influência sobre a corte portuguesa e armou artimanhas para tutelar o poder imperial de Portugal, principalmente com tratados comerciais mais favoráveis aos ingleses.

Ora, qual o interesse dos ingleses em colaborar para o desenvolvimento de um país para lhe fazer concorrência? A Inglaterra já tinha a França como forte concorrente e sempre a lhe causar transtornos e guerras que chegaram a 100 anos. 

Portanto, ficava fácil para os ingleses tutelar a pouca inspirada realeza  portuguesa e ainda lhe pilhavam, via tratados comerciais e até mesmo com a pirataria nos mares, o ouro e prata vindas do Brasil e outras colônias, que serviram para financiar a futura revolução industrial da Inglaterra.

Para mim há perfeita correspondência também para o subdesenvolvimento do Brasil, tutelado pelos ingleses até a segunda grande guerra e depois pelos Estados Unidos.

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